quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Suplício da lama

O riso

    conciso
contido

na muda da planta
que muda nasce
                renasce
na terra lavada
     que erra
e chora na guerra

"A morte surda caminha ao meu lado"

A morte como chuva que retorna ao rio
como areia que percorre o mundo sem importância
morte sem ser nem existir
sem fome, orgulho
deixando seu rastro de bigorna
rastro de forca
rastro de alivio
sons, suja, digna
a morte em palavras
nos braços cruzados
a morte surda presente na vida

Poema de Lavoura

As folhas de ventos das mãos do poeta com a memoria  de museu de entulhos
sementes da imaginação regada com labor
tratando de sua plantação
as fotos do vento, do cheiro das palavras adubando a areia branca cria o polém cinza do grafite
poema um dia proferido em solidão
nunca escrito com sangue
não retorna ao ar