segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014


À poesia nas águas de um rio

Translúcidas como a fumaça do meu cigarro

Escritas como trilhos carregam comboios em viagens inóspitas sem se dar conta

Como latrina de hospital usada e deixada de lado

Poesia como fétida taberna na madrugada de uma cidade onde três bêbados e uma donzela declamam seus mais irrisórios caprichos

Pego o trem, a poesia e acendo um cigarro, agora parto sozinho à vida noturna.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

No Dia em que Transei com as Palavras



Uma exclamação! Assim comecei a história dionisíaca das palavras com as folhas abertas em dois pólos, grafei os sete pecados capitais. Ajoelhei-me pedindo perdão perante as redundâncias que cometi. Nunca tentei decifrar as psicografias dos ecos na noite em que labutei entre silogismos e a perfeita gramática. Não tive dores de cabeça com o trabalho árduo das pontuações, embora exigissem esforço físico, e metafísico-pagão. Em rubras declarações estremeceu-se a estrofe e o vento até cogitou em alçar a folha ao chão, mas aparei como script de cinema- única parte da poesia metrificada. No mais, passei para outra folha, que esperava já úmida de suor para ser rasgada e assim esculturada as letras em linhas não mais visíveis. Quando novamente o eco se fez audível em indecifrável catarse, a pena frenética escriturava letras em tintas transparentes, tive única força de por o ponto final sobre a analogia poética.