terça-feira, 22 de abril de 2014

Dio, Come Te Amo




Amor mais forte que o vento ao mar

que para o sol de brilhar
faz do luar sua morada
derrama sobre os corpos os abraços singelos
de fazer descobrir um palmo quente de fissura no coração

atira-me do prédio em chamas
porque em mim emanas
o desejo de sofrer

porque sofro pelo teus lábios-
olhos, face, calado
o desejo em segredo

dentre os amores atirados
foste tu o mais oblíquo
admirado jeito de morrer

a doçura do seu cantar
é um estalido, bramido
como fera presa
liberdade terei se tocasses em seu rosto-
não haveria escravo mais feliz
se tocando sua sinhá pudesse também beija-la

porque de ti brotas o calor
impossível e tão sensível
de um afago litígio
apenas seus olhos podem pronunciar:
"Dio, Come te amo!"




sábado, 19 de abril de 2014

Gigantesco Plinto

                    Há muita gente eu sei que não gosta de versos, 
                    por quê... não sei... talvez... por que não                       
                    queira; daí uma asserção de críticos diversos: 
                    morrerá no provir a poesia inteira...
                                                                 Jorge de Lima

A soma dos versos da poesia vingam-se das estruturas
a mão que cansada escrevia com a cabeça em loucuras
demonstrava cintilar o afago nas presas de uma onça
o poeta como mergulhador tentando descobrir os segredos do fundo mar
usava seu resto de folego aventurando-se encontrar o tesouro em sílabas tônicas
em luta contra gladiadores, atirados as feras-jogado aos leões,
achados em aforismos 
perturbados por mil pragas rogadas pelas regras
não se via abençoado
via-se um pecador
martirisava-se à chicotadas 
catava letras como a mãe lhe ensinara a catar feijões-
o minimo cuidado para não deixar uma pedra que estourasse nos dentes
o poeta não deixava letras que furassem os olhos
grandiosa vontade de escrever até fazia-lhe inventar coisas-amor, cidades e dor
carregando sua espada cravou uma volta ao mundo
um grito em branco
um tiro no escuro
travando lutas colossais 
via-se mediocre
assim continuava a enfurecer-se 
pois o amor à poesia lhe brotava por entre os canais do coração
e sem tempo a encontrar se fazia de ampulheta rachada em meio ao deserto
para nunca parar de jorrar