sexta-feira, 23 de maio de 2014

Sombra

a sombra coisa morta
vagueia sem destino
presa desde o feto
a uma vida de desatinos

no corredor fria dilata-se

como em Modigliani
a sombra afixiva sobre os olhos
nunca ausente sua perspicácia teatral
contorce, recorte em dor
dança e trança cabelos

na alegria e e na doença

beija , uni-se intensamente em 4º grau
esbraveja e deita-se

chegada hora
curva-se
e sente o pesar da vida

como alma gêmea sem rancor
sobre 4 palmos estende-se
unindo-se a alma

sábado, 17 de maio de 2014

Água

Sobre os braços da mãe o mar se acalenta
terra balança como a mais acolhedora virgem abraçaria um órfão.
O gigantesco de água corre nas entranhas matriarcais, unindo-se.
O calor do sol que transpira e lagrimeja a fêmea
 devolve aos céus seu filho para um pouco cuidá-lo.
Mas devolve rapidamente o menino para ficar solto nas brincadeiras de criança.
Futebol de rua lavado
O pai lavrando história da chuva
Bocas arregaçadas; saciam mais alegria que sede
O embriagado levando os braços altos ao acolhimento 
No Éden Adão e Eva banhavam-se de tua beleza
inventaram travessuras proibidas nos teus lençóis gélidos  
Impiedosa quando Noé viu-se destinado a manter-se por sobre sua fúria
água que tantos lamentam nunca te-la bebido puramente
nunca ter beijado puramente
Quando fala água calma transluz
quando brada água fervas 
imensa, da cor do infinito céu
destruidora, como o mar morto, negro
As águas dançam com o vento
Adormece ao luar.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Aquele Beijo






Apreciava só dez por cento de sua beleza, que se encontravam nos olhos, algo grande que me arrancava nos sonhos como um buraco negro, uma gravidade que tragaria Thor e Hércules, pobre de mim. Fui ancorado a te chantagear só pra ter o que falarmos, batermos de frente, sentir cheiro de nuca e cabelo enrolado, onde pensei em construir minha maloca e por ali morar umas duas horas e meia oi duas semanas. Levar um sorriso na cara, algo engraçado, por dentro fuzilava-me todo o corpo.

Pensei em roubar-lhe um sonoro beijo quando com mãos no ombro me retinia: ”Nem ao papa levantaria voz se assim desejasse, sou boa, mas não sou besta” . Valeria a pena um tapa rude, ou envergonhado, ou talvez um beijo prolongado. Nunca soube. Como  todo idiota, sentia o que as cartomantes transcenderam, onde a bola de cristal reluzia, numa imagem que só a velha cigana traduzia como o mais belo do amores, mas era algo proibido, talvez as ciganas servissem de consolo, assim como missa de domingo.

A cabrocha com seu par apático. Eu louco pra arrancar-lhe os anos de sua presença no pedaço da eternidade da rapariga. Poderia entrar nesse meio, não seria um triângulo amoroso, seria uma salvação, de sua pele e desejos.


Enfim, no abismo do arrependimento. Aquele beijo que não roubei faltou para eternidade.