quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O poder dos seios nus

As mulheres utilizam a beleza e simplicidade de seus seios desnudos desde o tempo de “selvageria”. Aqui nas terras do Novo Mundo, os colonizadores encontraram um estado natural de relações. Homens, mulheres, crianças e imperdoáveis anciãs e anciãos nus e sem cabelos pelos corpos, cobertos apenas por pinturas decorativas em seus músculos faciais, possuindo sobre suas cabeças “capacetes” com belas penas.
A impossibilidade de civilização naquele momento fomentava a ira de Deus, por sua vez, o todo poderoso deixou homens-soldados-santos na terra para que munidos da palavra e da força pudessem salvar todas as almas pagãs, inclusive as que Deus nunca enviou um salvador. Os Jesuítas, coitados, tentados pela luxúria que as índias provocavam em seus corações eretos, lutavam bravamente contra o pecado e heresia.
Nesse cenário eram as mulheres ameríndias as mais escandalizantes, a Eva das novas terras. As jovens nativas encarregavam-se de enlouquecer no momento em que afloravam os seus desejos sexuais. As mais velhas, depuradas pelo tempo, açoitadas fisicamente, de seios caídos, rugas e os corações consumidos pelo pecado, depuravam os jovens, ensinando-os em qualquer momento os mais obscuros prazeres carnais. Essas senhoras se manifestavam como as primeiras da fila em ritos canibalísticos a beber o sangue do prisioneiro. Mordiam os próprios braços a espera de um pedaço do infeliz. Corriam com os membros do morto pela aldeia com algazarra de festa, preparavam o cozido e o servia com muito orgulho.
Mas a fêmea nativa era forte, guerreira, paria no local e na hora que o filho quisesse ser nascido. Após seu resguardo ia direto trabalhar, enquanto o homem se espreguiçava na rede e ia guardar leito e receber os elogios de seu filho viril, que deu tanto trabalho de sair quando ele apartou a barriga da companheira com um peso propenso. Essa mulher que acompanhava seu marido na floresta, que ia a sua frente na comunidade para assim ser apreciada pelo mesmo, não possuía empregadas como as europeias. As mulheres de seios nus capaz de estremecer a Europa com tamanha ousadia.
Para o índio, as mulheres têm seu espaço, sua importância, e seus peitos são uma das formas de identificar sua virilidade.
A verdade é que a mulher sempre foi ousada, sempre contra a submissão, até mesmo calada, mas capaz de proporcionar guerras como cita Homero, capaz até de desgraçar todo o mundo quando destina o homem ao trabalho, capaz de acolher todos os penosos ébrios apaixonados em seus colos, capaz de criar todas as sociedades em que for incumbida de transmissão da cultura, moral e ética.
Ainda hoje vemos as mulheres se manifestarem com os seios expostos, reivindicando suas roupas curtas, seus abortos e seus direitos. Do mundo antigo passando pelas expansões marítimas até a explosão e continuidade do neoliberalismo a mulher é capaz de mover o mundo e a força natural dos seus seios ainda chamam atenção e reivindicam suas capacidades diante dos olhares tão retrocessos.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Na adega o meu peito afina-se na mentira Amo-te tanto quanto a loucura a escuridão És minha coroa fonte que beberei todos os pecados e traçar os mais vis desejos 
Mas palavras ruidosas me tomam de clarão por seres esqueléticos O exercício de tampar a boca dos ouvidos já não adianta as vozes entraram e não se fecham Imundas maldições que rogo-lhes imundas mais sinceras
Em meu peito chicoteado guardo a poética trágica dessa tentação que me deixa cair em tuas mãos confortado em teus seios 
Perdoo-te por todos infortúnios febris rudes de tuas escolhas ponho-me a marginalizar meu próprio eu para tua adoração Não és a culpada de satisfazer seus insólitos sadismos desejo imaculado do teu poder não culpo-te pela paralisia que exerce as coisas naturais como se nada pudessem diante de ti (e não podem) 
Tive meus pecados perdoados em tua cama Pude ser leal Busco a blasfêmia para arrepender-me sempre em ti