sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Poesia

Traço
Simples traço
Quer ser palavra
Cansado de carregá-la
Quer ser frase
Ouvidos gastos de berros
Quer ser o verbo

Traços em Palavras

Justificado
Pobre justificado
Cansaste de enquadrar palavras
Quer ser o suspiro
Pelego de amarrar ideias
Quer ser a loucura
Encaixotado por medir o espaço
Quer ser livre no ar

Justificado em Palavras

Realidade
Imaginária realidade
Sôfrega de moral
Quer ser libertina
Apática de verdades
quer ser a sem-razão
Amarrada aos homens
Que ser em si paraíso

Realidade em Palavras

Até que um dia o homem estéril
Também fartou-se
Escolheu um branco sem margem
e fez-se poesia

Começo

O Nascer e o morrer
são períodos para a fé
caminhos que guardam crenças
histórias
crianças
guerras
a importância do primeiro lápis iguala-se ao nascer
importância de morte à primeira poesia
nascer e morrer são estados poéticos?
triste poesia que ficar comparada a estatutos e crenças
o nascer e o morrer
são começo da realidade
começo da poesia

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Saudade

Saudade é porta aberta estendida
Vosso espelho sois memórias
Entrando a visão descomedida
Lembreis perfídias escórias

Semblantes e mazelas reluzem
Entre breves seres amórficos
Sofrem os tormentos que produzem
Alguns sabores catastróficos 

Embute os pensamentos em fraqueza
Esfera presa, cansaço, enfados
Apresenta uma colcha de retardos

Que esperança essa sem clareza
Distância dada pelo passado
Que no retalho sofre prismado

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Dentro da Loucura

Homem navegado por lamúrias
Assombra essa noite em passos vagos
Deleitando sombras, viste amargos
Conjugá-lo sobejo de penúrias 

Ser puro em contínuos, contempla
Apenas o sol que fere as retinas
No terror que o amor cobre em propinas 
A vida lhe consome emblema

Mas como cáustico é amor em fulguras
Sabendo das noites que em ternuras
renasce um coração duro, madeiro

Entre voltas cargas que a secura
Distingue breve dentro da loucura
Sobre meu peito teu paradeiro