sexta-feira, 31 de maio de 2013

Silenciado Part. 2



calado
entalado
nasci aos berros
não consigo gritar
minha boca amarrada
presa
cravada
O grito de tesão
O grito de dor
O grito de euforia
O grito de nascimento
O grito de morte
quieto permaneço
calado
confiscado
amarrado
cabisbaixo retorno na manha
algo comprime o peito
O grito que não estoura
A prisão da força
condenação do orgulho
estou desnudo
desumano
enganado
A mentira
A alma matada
sem vida a arma amada se prontifica ao esquecimento
nascemos gritando e morremos sufocados

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Silenciado Part. 1



Eu o mal vestido
Diante de tiros 
Sons       sustos
                Surtos             soluços
A gritaria que me doía os dentes
O socorro tampado que se fazia ouvir entalado
Surrado        
Moído       sufocado
das tripas que vinham a voz
Da boca que não se saia
Do timbre que não se ouvia
Eu o mal educado
Eu o mal humorado
Desguarnecido          nascido gritando
Furei a barriga pra ecoar
Puxei o ar e tentei soprar
Mas nada restava   estava em pedaços
O grito que não sai      
Em volta dos abraços
Nascemos gritando e morremos entalados!