Abraçava um mundo que não era só meu, fazia da dança
dionisíaca a arte suprema regozijando, revitalizando-me na ultima gota de
leite sagrado. Quebrava-me em cacos e revirava-me em pó. Não me sentia, nem doía -um
nirvana anda luz. Emérito das sagradas escrituras dos cânticos dos cânticos. Abençoei
as ninfas aprendizes no sufoco idolatra dos meus braços em suas iniciações,
elevei as senhoras mais cativas de desejos antepassados, apanhei pelas mãos
donzelas perdidas a meio caminho da iluminação, trabalhei junto a pedantes em
carinhos espirituais, elevações noturnas, viagens astrais donde podia ver-me no
trabalho árduo da lapidação do ser. Lia noites afins de evangelhos em corpos e olhares fulgurantes quando nascia a chama da vida em retorno ao presente. Era não perder a sanidade o mais difícil dos trabalhos. Mais forte o desejo de salvar a
humanidade de seu fatídico tédio, que preferia ver nos sorrisos finos e mordidos
a agonia de seus suspiros em força gradua, vezes animal vezes imortal.
Imagem: Mark Keller Apesar dos olhares temos que nos conter Olhares como portais de fome Olhares enquanto te desprezam Vivares em pensamentos cálidos Franzinos sem movimentos Olhares como a gota d’água que as cargas São pelos olhares que a tentação palpita o peito No desprezo, no sem saber ser vista(o) No chão do bar que via chuva Pendendo em socorrer-se na poça Desviar um carro na curva Olhares ferozes de culpa De passado Olhares de fuga De presente Quando se encontram se combinam Se diferem Se apreendem e se espantam Se esfregam e se idolatram Se rejeitam e se desprezam Olhares incertos como 2 e 2 são 5 As portas do eu que imagina penetrar Excitação de longe Sem toque Chamego distante do tamanho do mar
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