terça-feira, 24 de junho de 2014

Amoreira

amor de amora lá do pé
roxo doce de teu fruto
que penhor me dava doce
de lambuzar que se comia
e todo roxo ficava

visita sempre roubava
a sombra que jazia de ti
como iluminuras do sol
que penetrando as folhas
iluminam amoreira

amorava uma negra no pé
me refazia suave de teu leite
lia poemas para teu brilho
e tomava mel de tua raiz

domingo, 22 de junho de 2014

Caminhos

Povoado de pássaros
me vagueiam as veias
como papel colorido
pintando de arco um cubico
de azul pintado o tempo
água e céu

a pedra no meio do caminho
só precisa de seu estado
estado de pedra
viveu vários pássaros
mas não os que habitam-me

batem asas esticando o vento
e meu tempo continha pálido
somente a bruma
olhando uma poça espelhada
imprimia o céu do auto no chão
rasteiro, molhado

os pássaros e as pedras
seguem a sina de vagar
banhadas de ventos
sem outros caminhos

terça-feira, 10 de junho de 2014

Procurando a Poesia

andei procurando a poesia sem sinal de partida ou a pressa da chegada
levantei o pano do tempo e a poesia baforou como poeira em mim
e me apanhou de surpresa como sol talhando risos no ar
numa coruja que serenava minhas noites
seca como um gole de pedra
num canto cortando o vento
encanto de trovão
no mar a beira
como casal a beira amar
a poesia continuava na reticência
a chuva também cortava o vento e o tempo
o pálido tempo sem horas continua no nunca
poesia como corte certeiro da faca torta
como carinho na rocha que sofria de tempo
poesia na parede que segurava um troféu
e maquiava-se de pinturas
uma girafa de ponta cabeça contemplando as alturas
num gira-sol cravado ao chão
as palavras escorriam pelos meus dedos
como uma sombra sega
eu continuava procurando a poesia

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Jazz

O cancioneiro palpitava de alegria retirando das cordas mudas compassos da criação o mundo iniciado nas notas sopradas ao vento transfiguradas nas cordas de uma guitarra, sinestésicas linhas que brotavam imagem som e cor durante a fobia dos corpos de ficarem parados emitindo em percussão dos passos tocando o chão numa onomatopéia ritmada, seguia-lhe um saxofone em agudez como sono de uma criança, tão profundo, em seu repertório canônico improvisava torrentes de loucuras salpicava frenesi a música soprada cravada transdizia o que sonhava, complemento de orquestra, um pico de som na veia o salão comológico constelação dançante o vento por'entre as saias e cortes no ar rarefeito, transpirações, corpos retorcidos do sul ao leste como cobras em chamas, bateria ríspida militar marcava o encontro dos frenéticos como sinal de trânsito atenção pare siga a todo vapor na estrada para o inferno beslicava a pulsação do coração mostrava a força e a liberdade, gira, lança espicha capricha, era jazz sombra pares suados mãos pés nada se identificava e nem era preciso, era jazz sem culpa existia e cabia no tempo.   

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Chuva Passageira

A chuva passageira
levou meu amor
meu afago
poeira e rastro de passado
levou meu insólito dia
visto da janela
ofuscadas de gotas
querendo entrar
para acariciar-me

a chuva passou cantando o presente
a chuva levou minhas saudades
umas vinte léguas
dormi em leito quente
ouvindo sua música lenta

despediu-se num adeus
sorridente
colorido
quando fugida a acalentar os anjos