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Procurando a Poesia

andei procurando a poesia sem sinal de partida ou a pressa da chegada
levantei o pano do tempo e a poesia baforou como poeira em mim
e me apanhou de surpresa como sol talhando risos no ar
numa coruja que serenava minhas noites
seca como um gole de pedra
num canto cortando o vento
encanto de trovão
no mar a beira
como casal a beira amar
a poesia continuava na reticência
a chuva também cortava o vento e o tempo
o pálido tempo sem horas continua no nunca
poesia como corte certeiro da faca torta
como carinho na rocha que sofria de tempo
poesia na parede que segurava um troféu
e maquiava-se de pinturas
uma girafa de ponta cabeça contemplando as alturas
num gira-sol cravado ao chão
as palavras escorriam pelos meus dedos
como uma sombra sega
eu continuava procurando a poesia

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Calíope

"Carne opulenta, majestosa, fina,  Do sol gerada nos febris carinhos,  Há músicas, há cânticos, há vinhos  Na tua estranha boca sulferina ." Crus e Sousa Engendra a substância de tua bela voz Lendo seu poema épico da batalha Donde os Titãs jogados à fornalha Do poder divino. Oh! Força algoz Ornada de grinalda comtempla a sós Do monte parnaso inspira-se e talha Na tabuleta com seu brunil não falha Em remanescer à poesia uma foz Jorrando a paixão do Deus Apolo Entre suas vestes dois filhos amaram Mas Eagro, talvez mais obtuso Deu-te ao ventre as notas de seu falo Um Orfeu aventurado cantaram À jovem Calíope seu ar majestoso
                                            A espuma do mar                                              sorrindo me tragar                                                                           ...

Sombra

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