O cancioneiro palpitava de
alegria retirando das cordas mudas compassos da criação o mundo
iniciado nas notas sopradas ao vento transfiguradas nas cordas de uma
guitarra, sinestésicas linhas que brotavam imagem som e cor durante
a fobia dos corpos de ficarem parados emitindo em percussão dos
passos tocando o chão numa onomatopéia ritmada, seguia-lhe um
saxofone em agudez como sono de uma criança, tão profundo, em seu
repertório canônico improvisava torrentes de loucuras salpicava
frenesi a música soprada cravada transdizia o que sonhava,
complemento de orquestra, um pico de som na veia o salão comológico
constelação dançante o vento por'entre as saias e cortes no ar
rarefeito, transpirações, corpos retorcidos do sul ao leste como
cobras em chamas, bateria ríspida militar marcava o encontro dos
frenéticos como sinal de trânsito atenção pare siga a todo vapor
na estrada para o inferno beslicava a pulsação do coração
mostrava a força e a liberdade, gira, lança espicha capricha, era
jazz sombra pares suados mãos pés nada se identificava e nem era
preciso, era jazz sem culpa existia e cabia no tempo.
Imagem: Mark Keller Apesar dos olhares temos que nos conter Olhares como portais de fome Olhares enquanto te desprezam Vivares em pensamentos cálidos Franzinos sem movimentos Olhares como a gota d’água que as cargas São pelos olhares que a tentação palpita o peito No desprezo, no sem saber ser vista(o) No chão do bar que via chuva Pendendo em socorrer-se na poça Desviar um carro na curva Olhares ferozes de culpa De passado Olhares de fuga De presente Quando se encontram se combinam Se diferem Se apreendem e se espantam Se esfregam e se idolatram Se rejeitam e se desprezam Olhares incertos como 2 e 2 são 5 As portas do eu que imagina penetrar Excitação de longe Sem toque Chamego distante do tamanho do mar
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