Uma exclamação! Assim comecei a história dionisíaca das
palavras com as folhas abertas em dois pólos, grafei os sete pecados capitais.
Ajoelhei-me pedindo perdão perante as redundâncias que cometi. Nunca tentei
decifrar as psicografias dos ecos na noite em que labutei entre silogismos e a
perfeita gramática. Não tive dores de cabeça com o trabalho árduo das
pontuações, embora exigissem esforço físico, e metafísico-pagão. Em rubras
declarações estremeceu-se a estrofe e o vento até cogitou em alçar a folha ao
chão, mas aparei como script de cinema- única parte da poesia metrificada. No
mais, passei para outra folha, que esperava já úmida de suor para ser rasgada e
assim esculturada as letras em linhas não mais visíveis. Quando novamente o eco
se fez audível em indecifrável catarse, a pena frenética escriturava letras em
tintas transparentes, tive única força de por o ponto final sobre a analogia
poética.
Imagem: Mark Keller Apesar dos olhares temos que nos conter Olhares como portais de fome Olhares enquanto te desprezam Vivares em pensamentos cálidos Franzinos sem movimentos Olhares como a gota d’água que as cargas São pelos olhares que a tentação palpita o peito No desprezo, no sem saber ser vista(o) No chão do bar que via chuva Pendendo em socorrer-se na poça Desviar um carro na curva Olhares ferozes de culpa De passado Olhares de fuga De presente Quando se encontram se combinam Se diferem Se apreendem e se espantam Se esfregam e se idolatram Se rejeitam e se desprezam Olhares incertos como 2 e 2 são 5 As portas do eu que imagina penetrar Excitação de longe Sem toque Chamego distante do tamanho do mar
Ainda que eu tente calar o grito
ResponderExcluirsuas palavras berram em poesia!
Parabéns poeta! Continue essa busca por prazer nas palavras, você está encontrando belas respostas, reciprocas!